Manuel Tarré, presidente da administração da Gelpeixe

“São 35 anos que acabamos de completar, ao mesmo tempo que fomos congratulados com o primeiro lugar no Prémio Excelência no Trabalho 2011/2012. Recordo que em 1977, aquando da nossa génese havia uma incerteza no mercado, quanto a mim, mais grave do que a atual, à qual estava aliada uma incerteza política, social e até financeira; e foi neste contexto que nasceu a Gelpeixe, advindo de uma necessidade imperiosa em encontrarmos o nosso rumo pessoal dentro de um país à deriva. Nós, filhos, demos as mãos num projeto iniciado  pelo nosso pai, negócio que começou pelo fornecimento de congelados a pequenas lojas da região.  A Gelpeixe continua a ser uma empresa assente em valores familiares, e hoje também os nossos filhos começam a dar os primeiros passos com uma relação com os colaboradores como família. No âmbito do mercado, tudo fazemos para merecer a confiança continuada dos nossos parceiros no dia a dia , desde fornecedores a clientes,  dando a todos um valor acrescentado diferenciador"... .


“Apostamos no capital humano”
São 150 os colaboradores  desta empresa de cariz familiar, metade dos quais já é parte integrante da família Gelpeixe há mais de uma década. E não mencionamos a palavra família ao acaso; é que a administração faz questão que assim seja e talvez por isso, e muito mais, a Gelpeixe é considerada a melhor empresa portuguesa para se trabalhar. Todo o trabalhador gosta de ser tratado como um indivíduo, não como um número, não como uma peça na engrenagem, que pode ser substituída a qualquer altura. Nos dias que correm, estabilidade no trabalho é situação rara: congratulem-se os privilegiados. E a Gelpeixe, que há 35 anos começou a laborar no setor dos alimentos congelados, não colocou os valores humanitários no congelador, muito pelo contrário, faz da responsabilidade social uma bandeira e uma forma de estar. Este é um dos motivos que fazem com os níveis de faturação da firma tenham rondado os 50 milhões de euros em 2011. Joaquim Tarré, vice-presidente, afirma que “um negócio não é só números. Acreditamos numa interligação positiva com os nossos colaboradores e os resultados são fruto da relação de uma verdadeira equipa. Apostamos nas pessoas, temos responsabilidades perante os nossos trabalhadores e perante a comunidade e nesse sentido posso adiantar que fazemos apoio à inserção social através de protocolos com instituições de solidariedade social, apoiamos ações de caridade e ainda ajudamos financeiramente algumas associações como os Bombeiros Voluntários de Loures, a Casa do Gaiato e a Casa dos Rapazes. Internamente, pretendemos ser um exemplo no que concerne á formação dos colaboradores e acrescento que 13 dos nossos trabalhadores são formadores internos certificados com CAP, temos duas turmas inseridas nos Projeto Novas Oportunidades e temos, inclusive, 12 socorristas credenciados nos nossos quadros”.
Segundo o gestor, as grandes diferenças em termos de relevo social centram-se no “seguros de doença e de vida com que contemplamos os colaboradores e que em nada estão relacionados com os obrigatórios seguros em ambiente de trabalho, o almoço é gratuito, assim como as bebidas quentes, uma vez que as pessoas trabalham em ambientes frios; não esqueçamos que, para promover a estabilidade do trabalhador, no caso particular as mães, oferecemos um cabaz de bebé e, mais do que isso, ressalvamos que o posto de trabalho não está em perigo, tranquilizamos a recém-mamã, prática que, infelizmente, não é feita na maioria das empresas. Entre outros benefícios a destacar, a Gelpeixe  disponibiliza um médico de medicina curativa, que está habilitado a passar as receitas da segurança social e  a entrega de medicamentos é feita na empresa com 15 por cento de desconto”, enumera Joaquim Tarré antes de sublinhar que às sextas-feiras a produção só labora da parte da manhã, todavia os números da área da produção aumentaram desde que a Gelpeixe instituiu esta prática. Porquê? A resposta está na motivação e no bem-estar no local de trabalho. A acrescentar ainda, que a Gelpeixe não olvida os seus reformados: “Eles continuam a fazer parte da Família Gelpeixe usufruindo de muitas das regalias sendo sempre convidados para os eventos sociais da Gelpeixe”, afirma Joaquim Tarré.
Dentro de todo o contexto sociolaboral acima descrito resulta no Prémio Excelência no Trabalho 2011/2012 atribuído pela Heidrick & Struggles, pelo ISCTE e pelo Diário Económico, fator e regozijo para a família Gelpeixe. “Quando, em 2009 recebemos o prémio atribuído pela Revista Exame, julgávamos que dificilmente voltaríamos a receber uma menção destas, por isso foi com extrema satisfação que recebemos a notícia. Repare que ganhámos um prémio em que  estamos  a concorrer com empresas de serviços em que as regalias laborais são muito mais apetecíveis; a grande maioria dos funcionários da Gelpeixe trabalha o peixe, carrega o peixe... Por isso mesmo, considero que devemos ter uma particularidade muito especial para termos uma motivação muito elevada devido ao nosso ramo de atividade , trabalhar o peixe não é, efetivamente, a atividade mais apelativa para quem se inicia no mundo laboral. Assim sendo considero que a Gelpeixe tem uma mística e uma cultura muito próprias que levam à confiança que as pessoas depositam em nós”, conclui Joaquim Tarré.

“Exportação também promove o dinamismo e profissionalismo de toda a estrutura”

No que concerne à exportação, quais as marcas e/ou produtos pelos quais optaram e quais os mercados preferenciais?
Os mercados principais de exportação atuais são Angola, que representa mais de 50% das nossas exportações, e Macau, Cabo Verde e Luxemburgo que representam 30%! Para 2012 o nossos desafio é consolidar os clientes existentes, crescendo com eles, e entrar em novos mercados, com um foco especial na Ásia. A sardinha, a mariscada, os pastéis de bacalhau, os rissóis de leitão e os pastéis de nata são os produtos bem ao gosto português que mais se destacam nas nossas vendas para mercados externos.

Qual o peso das exportações na totalidade da faturação da empresa?
As exportações tiveram início na Gelpeixe em 2004 e em 2011 tiveram um peso de 8% do volume de vendas total da empresa.

Em sua opinião, o facto de terem recebido o Prémio de Excelência no Trabalho tem conferido à Gelpeixe um acréscimo de responsabilidades perante sua estrutura? O primeiro lugar no ranking das médias empresas portuguesas tem oferecido mais-valias em termos de estratégias de comunicação e marketing relativamente à internacionalização?
O Prémio de Excelência no Trabalho é um reconhecimento público dos nossos valores empresariais. A responsabilidade perante a estrutura não muda, irá sempre ser uma aposta contínua nas pessoas, promovendo a motivação e o bem-estar a todos os níveis!
Ao nível de comunicação é importante o reconhecimento interno de alcance externo. Acreditamos que cada vez mais as empresas fazem a diferença pelo que são e como trabalham e vivem o seu dia a dia. Esses valores revelam-se no produto e no serviço que prestam, promovendo as relações de compromisso e envolvimento interno, assim como com todos os parceiros externos desde os fornecedores aos clientes. A Gelpeixe é reconhecida pela elevada qualidade e diversidade dos seus produtos, mas também pelo serviço que presta! Tudo isto só é possível por toda a cadeia estar nas mãos de pessoas que vestem todos os dias durante anos a camisola Gelpeixe e que tornam este projeto num desafio pessoal!

No que respeita aos produtos exportados, o designado “mercado da saudade” tem um papel de relevo na vossa política de exportação?
O reconhecimento da gastronomia portuguesa é um fator crítico de sucesso que tem de ser explorado, assim como sermos o terceiro país ao nível mundial que mais pescado consome per capita. Desta forma, o “mercado da saudade” é sem dúvida aquele que mais procura os nossos produtos e que menos barreiras coloca à entrada.

Face à presente conjuntura económica do país, e à dificuldade em aumentar volume de negócios internamente, considera que a internacionalização das firmas nacionais é oportunidade “quase obrigatória”?
A aposta em mercados internacionais é um passo importante e que tem de ser bem planeado de início. Para que seja uma estratégia a longo prazo e não uma ação pontual de curto prazo, os investimento são elevados tanto ao nível de deslocações, feiras como recursos humanos afetos. Há que plantar para mais tarde colher! Há mercados e clientes de entrada mais fácil e outros para os quais temos de batalhar durante anos. Persistência, ou mesmo teimosia, é sem dúvida um valor diferenciador! São ainda memórias recentes as da primeira visita ao mercado e bater a todas as portas e poucas delas se abrirem e hoje ir a essas portas e ter alguém à nossa espera ou as de fazer as primeiras feiras e ninguém saber quem somos e nem mesmo onde fica Portugal e hoje já temos muitas pessoas a irem ao nosso encontro!
Da nossa experiência, a exportação também promove o dinamismo e profissionalismo de toda a estrutura. Para ter sucesso em mercados externos temos de estar abertos a alterações internas, pois não existem mercados iguais. Ao longo destes anos, desde termos criado as submarcas Gelpeixe Chef, Gelpeixe Gourmet, Gelpeixe Delidu, mais pronunciáveis na maioria das línguas, ao esforço de termos os produtos nas línguas necessárias aos mercados que estamos a trabalhar, de forma a otimizar a produção e a logística, existem medidas contínuas de melhoria. 
As empresas que querem exportar têm de se perguntar primeiro se estão prontas para mudar, para ver o seu negócio com outros olhos. A visão do que foi um sucesso com os olhos de ontem não pode ser replicado para a visão da estratégia de futuro! Os empresários têm de ter consciência que o mercado está cada vez mais dinâmico e o cliente mais exigente e que, quando se exporta estas variáveis têm de ser analisadas para todos os mercados onde estamos presentes.
Outra análise que deve estar em cima da mesa é a fase em que o mercado se encontra. Passando à nossa realidade, não vale a pena querermos ter produtos congelados num mercado em que não existe estrutura logística de frio preparada para receber os nossos produtos.
É bom termos consciência que o caminho da exportação não é fácil e que para ter sucesso tem de ser visto desde o primeiro dia como um projeto a longo prazo. A exportação não se tenta, faz-se!

Quais as principais linhas estratégicas da Gelpeixe, para 2012, no âmbito da sua internacionalização?
Para 2012, o nosso objetivo ao nível de vendas continua a ser o de manter o crescimento percentual que temos conseguido desde o início do projeto. O investimento para 2012 é de fidelizar e crescer com os clientes atuais numa base de estratégia conjunta e de realizar  algumas das negociações já em curso!

 

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